Newton Eistão Galilo tinha 16 anos, morava com os pais em um pequeno bairro em Tangamandápio. Tinha uma vida tranqüila, porém vazia, sem amigos, sem namorada, sem grandes surpresas ou saídas da rotina. Seus pais trabalhavam em uma grande empresa de investigação que se localizava em uma bolha gigante dentro do rio Paranauê. O emprego dos pais por razões óbvias era um segredo para Newton, que achava que os dois eram garçons em um restaurante em um lugar muito, muito distante e por isso sempre saíam cedo e chegavam tarde.
Oito horas da manhã. Galilo acorda atrasado. Sua aula começara sete e 20. Sem tempo para parar e analisar as suas opções para o café da manhã, o garoto agarra uma fruta qualquer na cozinha, coloca em um bolso qualquer da mochila e, apressado, corre para a escola que ficava a dois quarteirões de sua casa.
Ao chegar à escola, vai passando pelo corredor e é ovacionado pelos alunos. “Deve ser alguma brincadeira” ele pensa enquanto corre para a classe. Newton chega correndo em sua classe para perceber que todos (incluindo a professora) estavam à sua espera para começar a prova programada para aquela aula. Sem perguntar ou falar nada o garoto senta em sua mesa e começa a atividade. No meio da atividade ele ouve alguém cochichando, ao olhar pro lado percebe o que estava acontecendo: a professora estava lhe passando as respostas.
Enquanto isso em sua casa, seus pais procuram a fruta misteriosa que trouxeram do trabalho pra investigar. Olham de um lado, olham de outro, reviram tudo e nada da fruta aparecer.
Feliz, Newton saiu da prova e foi comer alguma coisa na lanchonete do Seu Erasmo. “Olha ele aí!” - afirmou Erasmo ao ver Newton adentrando sua lanchonete – “Esse aí é por minha conta!”. O garoto não sabia o que estava acontecendo, mas ele estava gostando, e muito. Assim que terminou os 15 sanduíches e 6 refrigerantes que lhe foram dados pelo dono do estabelecimento, o rapaz agradeceu e foi embora, com destino certo: o clube. “Se está tudo dando certo o que custa tentar uma vaga no time de futebol agora?” – pensava Newton enquanto caminhava em direção ao clube.
Já no clube, o pequeno Galilo é recebido diretamente pelo técnico que manda o capitão do time embora e lhe dá a braçadeira sem nem precisar de teste. “Vá pra casa e descanse, treino é para os fracos” – disse o técnico para em seguida chamar a atenção do resto do time. Na frente do ponto de ônibus era a verdadeira prova de fogo para a sua boa fase: Andesburgo, o Rotweiller do senhor Agripino (que sempre ataca enquanto Newton espera o ônibus). O garoto foi se aproximando, se aproximando, se aproximando e assim que chegou perto......... o cão se virou de barriga pra cima querendo carinho. Estava confirmado! A sorte finalmente tinha virado!
Entrou no ônibus e para sua surpresa (ou não) o cobrador falou que estava sem troco e que o menino podia entrar no ônibus sem pagar. Ainda desnorteado pelos acontecimentos do dia, sentou-se e dormiu até em casa.
Ao chegar em casa viu seus pais desesperados atrás de uma fruta que, segundo eles, era para o prato do dia no restaurante, foi aí que Newton se lembrou do lanchinho que ele havia pego no começo do dia, tirou da mala uma fruta escura, fedida e com um formato estranho, não era possível distinguir que fruta que era aquela. Foi aí que ele fez sua pior decisão em toda sua vida: jogou a misteriosa fruta fora e foi dormir.
No dia seguinte ao chegar a sua classe, Newton reparou que a vida havia voltado ao normal. “É, eles me enganaram bem...” – pensou o garoto antes de se sentar e voltar à sua monótona rotina.